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Dress code no trabalho: afinal, o que ainda faz sentido?

Atualizado: há 10 horas


dress code no trabalho

“Por aqui não temos dress code.” Essa frase se tornou bastante comum no mercado de trabalho. À primeira vista, parece simples: cada pessoa pode se vestir como quiser. Mas basta observar um ambiente profissional por alguns minutos para perceber que, mesmo quando ninguém entrega uma lista dizendo o que pode ou não pode ser usado, algum código continua existindo.


Talvez ninguém proíba determinadas roupas. Talvez não exista orientação sobre cores, sapatos ou grau de formalidade. Ainda assim, sabemos que provavelmente não nos vestiríamos da mesma maneira para trabalhar, ir à praia, encontrar amigos ou participar de um casamento.


Então, se ninguém estabeleceu a regra, como sabemos? Porque dress code no trabalho não é construído apenas por regras escritas. Ele também é resultado do ambiente, da cultura, das pessoas, da atividade exercida e das expectativas que existem em torno daquele contexto.

E é justamente aí que a conversa fica mais interessante.


O dress code no trabalho não desapareceu. Ele ficou menos óbvio


Durante muito tempo, determinados ambientes profissionais eram facilmente reconhecidos pela roupa. Havia códigos bastante definidos para bancos, escritórios, empresas tradicionais e algumas profissões. Em muitos casos, bastava observar a maneira como alguém estava vestido para imaginar onde trabalhava. Esse cenário mudou.


Empresas flexibilizaram a vestimenta. O tênis entrou em ambientes antes formais. Gravatas desapareceram de muitos escritórios. A alfaiataria ganhou combinações mais descontraídas. O trabalho remoto também alterou nossa relação com a roupa profissional.


Só que a flexibilização trouxe uma consequência interessante: quando diminuem as regras, aumenta a necessidade de interpretação. Antes, alguém dizia o que vestir. Agora, muitas vezes, cabe ao próprio profissional entender o que faz sentido.


“Pode vir como quiser” raramente significa exatamente isso


Imagine começar em uma empresa nova e, ao perguntar sobre a vestimenta, a resposta é:

“É bem tranquilo. Pode vir como quiser.” No primeiro dia, você chega e começa a observar.

Uma pessoa está de jeans e camiseta. Outra usa calça de alfaiataria. Alguém está de tênis.

A liderança aparece de blazer. Em outro setor, as pessoas parecem ainda mais informais. E, de repente, aquela orientação aparentemente simples cria mais perguntas do que respostas: até onde vai esse “como quiser”?


É nesse ponto que muitas pessoas começam a construir suas próprias regras por tentativa e erro:

observam colegas, percebem como a liderança se apresenta, entendem que uma reunião externa talvez peça algo diferente. Descobrem que determinadas escolhas funcionam perfeitamente na rotina, mas parecem informais demais diante de um cliente.


Esse processo mostra algo importante: o dress code no trabalho não está apenas na roupa. Está na leitura do contexto.


Adequação não significa padronização


Talvez um dos maiores equívocos ao falar sobre dress code seja imaginar duas únicas possibilidades: ou existe liberdade total, ou todo mundo precisa parecer igual. Não precisa ser assim.


Uma empresa pode estabelecer parâmetros de apresentação sem determinar uma estética única para todas as pessoas, da mesma maneira, um profissional pode compreender o nível de formalidade esperado sem abrir mão completamente do próprio estilo.


Duas pessoas podem estar igualmente adequadas usando roupas completamente diferentes: uma pode preferir linhas mais clássicas; outra, uma composição contemporânea. Alguém pode gostar mais de cores; outra pessoa pode trabalhar praticamente sempre com tons neutros.


O que precisa existir não é necessariamente semelhança. É coerência com o ambiente e com a atividade exercida.


O problema não é a peça isolada


É comum tentar resolver questões de dress code no trabalho criando listas:

Pode jeans?

Pode tênis?

Pode camiseta?

Pode estampa?

Pode roupa sem manga?

Mas uma peça isolada raramente oferece informação suficiente.


Um jeans escuro, de bom caimento, combinado com peças mais estruturadas pode produzir uma leitura completamente diferente de outro jeans usado em uma composição extremamente casual.

O mesmo acontece com tênis, camiseta, alfaiataria e praticamente qualquer outro elemento do guarda-roupa.


Por isso, talvez a pergunta “pode ou não pode?” seja limitada demais. Existem perguntas melhores:

Como essa peça está sendo usada?

Qual é a leitura do conjunto?

Para qual atividade?

Em qual ambiente?

Diante de quem?

Quando olhamos apenas para a peça, criamos regras. Quando olhamos para o conjunto, começamos a construir critérios.


Existem vários ambientes dentro do mesmo ambiente de trabalho


Essa é outra razão pela qual um único código rígido nem sempre consegue responder à realidade profissional atual. A mesma pessoa pode passar a manhã trabalhando internamente, almoçar com um cliente e terminar o dia em um evento.


Pode trabalhar remotamente três dias e presencialmente dois.


Pode participar de uma reunião por vídeo pela manhã e visitar uma operação à tarde.


Pode precisar de proximidade em determinado momento e de maior formalidade em outro.


O dress code no trabalho, portanto, pode variar até dentro da mesma empresa. Isso não significa trocar completamente de identidade a cada compromisso, mas aprender a ajustar o nível de formalidade.


Às vezes, uma terceira peça resolve. Em outras situações, basta mudar o sapato. Uma composição de cores diferente pode elevar a presença. Um acessório pode acrescentar personalidade. Ou retirar alguns elementos pode tornar a imagem mais adequada para determinado contexto. São ajustes, não personagens diferentes.


E quando a empresa não orienta?


Quando não existe uma orientação formal, observar se torna ainda mais importante. Mas há uma diferença entre observar para compreender e observar para copiar. A maneira como outras pessoas se vestem oferece pistas sobre a cultura do ambiente, mas não precisa se transformar em uniforme.


A liderança pode indicar determinado nível de formalidade. As pessoas que atendem clientes podem mostrar outro. O próprio espaço físico, o segmento da empresa e o perfil do público também fornecem informações. A partir dessas referências, cada profissional pode encontrar sua própria maneira de se apresentar.


E é aqui que dress code e estilo pessoal conseguem coexistir, porque o ambiente estabelece limites e o estilo encontra espaço dentro deles.


Um bom dress code deveria facilitar, não constranger


Do ponto de vista das empresas, também existe uma reflexão importante: quando as orientações são vagas demais, cada pessoa interpreta profissionalismo de uma maneira. Quando são rígidas demais, podem gerar desconforto e apagar individualidades sem necessariamente melhorar a imagem da organização.


Um bom dress code no trabalho deveria ajudar as pessoas a tomar decisões, explicar contextos, apresentar níveis de formalidade, mostrar o que faz sentido para determinadas situações. E, principalmente, deixar claro por que determinados critérios existem.


Existe uma diferença enorme entre dizer: “Não use isso.” e explicar: “Para esse tipo de atendimento, buscamos transmitir determinada percepção.” Quando existe um motivo, a orientação deixa de parecer apenas uma regra estética e passa a fazer parte da comunicação da empresa.


A imagem das pessoas também comunica a cultura de uma empresa


Podemos pensar em identidade visual e imediatamente lembrar de logotipo, cores, tipografia, site, escritório e materiais institucionais. Mas existe outro elemento extremamente visível nessa construção: as pessoas.


São elas que atendem clientes, conduzem reuniões, aparecem em eventos, fazem apresentações e representam a organização diariamente. Isso não significa que funcionários devam funcionar como extensões idênticas de uma marca. Significa reconhecer que a maneira como uma equipe se apresenta também participa da experiência que aquela empresa oferece.


Uma organização que se posiciona como contemporânea, por exemplo, pode gerar uma percepção contraditória se sua apresentação humana parecer excessivamente rígida. Da mesma forma, uma empresa que depende de confiança e credibilidade precisa compreender como sua equipe materializa esses atributos no contato com o público. Por isso, falar sobre dress code no trabalho é também falar sobre comunicação.


Talvez não precisemos de mais regras. Precisemos de critérios melhores


O mercado de trabalho provavelmente continuará se tornando mais flexível e isso é positivo.

Podemos ter mais conforto, mais individualidade e mais possibilidades de expressão do que tivemos durante muito tempo. Mas liberdade não elimina contexto.


Ela aumenta nossa responsabilidade sobre as escolhas que fazemos.Um dress code no trabalho  não precisa determinar exatamente o que cada pessoa deve vestir, pode fazer algo muito mais útil:

ajudar a compreender o ambiente, a situação e a mensagem que precisa ser construída.


Porque adequação não significa vestir todo mundo igual. Significa permitir que pessoas diferentes continuem sendo reconhecidas em sua individualidade enquanto compreendem que, profissionalmente, também fazem parte de um contexto maior.

 
 
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